Viajar com Sinusite: Minha Experiência no Voo e o Que Você Precisa Saber

Floripa continua linda (ainda que tenha me causado uma baita dor de ouvido)

Na última semana, viajei Florianópolis para visitar amigos muito queridos. Estava no meio de uma crise de sinusite — nada muito grave, mas o suficiente para me deixar congestionado e com aquela sensação de pressão no rosto. Como otorrinolaringologista, eu sei exatamente o que pode acontecer quando se pega avião nessas condições. Mesmo assim, por compromissos importantes, embarquei. E confesso: foi uma das experiências mais desconfortáveis que já tive em um avião.

Assim que o avião começou a descer, aquela dor súbita no ouvido apareceu. Uma pressão intensa, quase como se algo estivesse “empurrando de dentro para fora”. Eu sabia que aquilo era consequência direta da sinusite: o nariz e os seios da face inflamados dificultam a abertura da tuba auditiva — o canal que equaliza a pressão entre o ouvido médio e o ambiente externo. Quando ela não abre, a pressão descompensa… e a dor aparece.

O que eu senti durante o voo

A dor veio em ondas. Primeiro uma pressão, depois uma fisgada forte no ouvido direito. Tentei alguns manobras que sempre ensino aos pacientes:

  • Engolir saliva repetidamente
  • Bocejar
  • Fazer a manobra de Valsalva com cuidado (assoprar com o nariz tampado, sem fazer força exagerada)

Tudo ajudou um pouco, mas nada resolveu completamente. Quando o avião tocou o solo, senti um alívio parcial, mas o ouvido ainda ficou “travado”, com sensação de abafamento, por algumas horas.

E é exatamente por isso que, sempre que possível, eu recomendo evitar voar durante crises de sinusite. Mesmo sabendo tudo isso, eu também passei pela mesma dificuldade que muitos pacientes relatam.


Por que voar com sinusite é tão desconfortável?

Quando estamos com sinusite, os tecidos internos do nariz ficam inflamados e as aberturas naturais dos seios da face e da tuba auditiva ficam mais estreitas. Nos momentos de mudança brusca de pressão, principalmente na decolagem e, principalmente, na descida, essa equalização não acontece como deveria. Resultado:

  • dor de ouvido
  • sensação de pressão
  • zumbido
  • ouvido “tampado”
  • em casos mais graves: até barotrauma (lesão por pressão)

Se você não puder evitar o voo, o que fazer?

Como nem sempre conseguimos cancelar viagens, aqui vão as medidas que eu mesmo utilizei — e que recomendo aos meus pacientes:

1. Use um bom spray nasal com corticoide diariamente antes da viagem

Ajuda a diminuir a inflamação e melhorar a ventilação da tuba auditiva.

2. Faça lavagem nasal com soro fisiológico

Mantém o nariz limpo e desobstruído, facilitando a equalização de pressão.

3. Utilize descongestionante somente no dia do voo, se não houver contraindicação

Pode ajudar nas primeiras horas, mas não deve ser usado continuamente. Nunca use por mais de 3 dias.

4. Masque chiclete ou chupe balas durante a descida

Ajudam a estimular a abertura da tuba auditiva.

5. Faça a manobra de Valsalva com cuidado

Sem força exagerada — o objetivo é só mandar ar para o ouvido médio, não causar dor.


Quando ficar em alerta?

Depois do voo, procure atendimento se você apresentar:

  • dor de ouvido intensa que não melhora
  • perda auditiva repentina
  • saída de líquido pelo ouvido
  • tontura importante
  • sensação de ouvido completamente “travado” por mais de 24–48 horas

Esses sinais podem indicar barotrauma, que exige avaliação com otorrinolaringologista.


Conclusão: um cuidado simples que evita muita dor

Depois desse voo para Florianópolis, a experiência reforçou algo que eu já sabia — mas que agora vivi na pele: viajar com sinusite não é uma boa ideia. Sempre que puder, adie. E, quando não for possível, prepare-se com antecedência e siga os cuidados certos. Isso faz toda a diferença entre uma viagem tranquila e um voo bastante desconfortável.

Se você está com sinusite e tem uma viagem marcada, fale comigo. Posso te orientar sobre a melhor forma de minimizar riscos e evitar complicações.