
Ozempic e Cirurgia: O que pacientes e cirurgiões de Cabeça e Pescoço precisam saber
Com a popularidade explosiva dos agonistas do receptor de GLP-1 (como Ozempic, Wegovy e Mounjaro) para o tratamento de obesidade e diabetes tipo 2, um novo desafio surgiu nas salas de cirurgia. Um artigo recente da Triological Society, publicado no The Laryngoscope, detalha os riscos e as melhores práticas para pacientes que usam esses medicamentos e precisam passar por procedimentos de cabeça e pescoço.
O Problema: O estômago “cheio” mesmo em jejum
O principal mecanismo desses medicamentos é retardar o esvaziamento gástrico. Embora isso ajude no controle do açúcar e na saciedade, cria um risco significativo durante a anestesia: a aspiração pulmonar. Mesmo que o paciente siga o jejum pré-operatório padrão, o estômago pode ainda conter alimentos, que podem ser aspirados para os pulmões durante a intubação ou sedação.
Destaques do Artigo:
- Risco de Aspiração: O atraso no esvaziamento gástrico aumenta a chance de náuseas, vômitos e, consequentemente, aspiração de conteúdo gástrico, o que pode levar a pneumonias graves.
- Contexto da Otorrinolaringologia: Para cirurgiões de cabeça e pescoço, o risco é ainda mais crítico, dado que muitos procedimentos envolvem manipulação direta da via aérea, onde a proteção contra aspiração é fundamental.
- Planejamento Pré-operatório: O artigo enfatiza a necessidade de uma triagem rigorosa. O cirurgião e o anestesista devem estar cientes do uso dessas medicações para ajustar o protocolo de segurança.
Orientações Práticas (Melhores Práticas):
Baseado nas diretrizes atuais (incluindo recomendações da ASA – Sociedade Americana de Anestesiologistas), o consenso para reduzir riscos inclui:
- Doses Diárias: Suspender o medicamento no dia da cirurgia.
- Doses Semanais: Suspender a aplicação por uma semana inteira antes do procedimento cirúrgico.
- Sintomas Gastrointestinais: Se o paciente apresentar náuseas ou dor abdominal no dia da cirurgia (mesmo tendo suspendido a droga), o procedimento eletivo deve ser adiado ou tratado como “estômago cheio” pela equipe de anestesia.
Conclusão
A segurança do paciente é a prioridade. Pacientes que utilizam GLP-1 devem ser honestos com seus médicos sobre o uso da medicação, e os cirurgiões de cabeça e pescoço devem incorporar essa verificação em seus protocolos de rotina para evitar complicações respiratórias evitáveis.